sábado, 28 de fevereiro de 2009

Die little bitch


A vaca na janela não para de me olhar, não para de cantar
Ela não para de mastigar
DE me olhar
DE me olhar
De me olhar
A vaca malhada na janela está vivendo sua vida sem ligar para a minha,
Seus olhos virados para o meu lado, mas estão desfocados
Lhe chamo a atenção
Lhe chamo a atenção
Lhe chamo a atenção
Aceno, sacudo meu corpo e ela não me olha, mira apenas o vazio
Entro no seu campo de visão
Sou ignorada
Ela apenas rumina algumas palavras longe do meu campo de audição
Eu rumino de volta, ela me olha, nos olhamos
o silêncio reina e ela já não mais mastiga
apenas baba,
Uma gota viscosa cai no chão e mata 4 ou 6 formigas.
Olhamos o massacre
Eu a culpo com o olhar, e ela em resposta deixa outras gotas caírem afogando um formigueiro inteiro.
A vaca malhada já não mais me olha, abaixou a cabeça e mordeu uma moita roxa
E começou a ruminar lentamente, lennnnntamennnnnte.
Engoliu o primeiro bocado, mordeu outro,
Assim que que a moite caiu em seu estomago, começaram a surgir bolinhas roxas em seu corpo, ela não percebeu até ver meu olhar
Levantou a cabeça e olhou no espelho atrás de mim, arregalou os olhos por alguns segundo e como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo e recomeçou a comer a moita roxa.
Abriu um sorriso molhado, não retribui
Saí batendo pé, arranquei um galho da moita e mordi, engoli, e assim que caiu no estômago, comecei a ver as bolinhas, eram lindas e então morri,
morri
morri
morri...

Teto de sal

Seu destino e o meu foi selado de forma dramática, o pacto de sangue foi feito e sacramentado.
Quando o morcego vermelho fugir de suas costas tudo estará terminado.
O destino de um só, o destino de um homem sozinho é traçado quando ele essa vida escolhe.
Você a esta vida escolheu, não eu.
Ou será que foi o contrario?
Agora isso já não me importa mais, para falar a verdade nunca me importou.
Aquele dia ao por do sol sobre as areias da praia, seus olhos de encontro ao horizonte, os meus perscrutavam a sua jugular. Qualquer alteração de seus batimentos cardíacos, por mim seria notado. E se tal coisa acontecesse tua vida seria ceifada por minhas mãos.
Você se manteve inabalável, nenhuma alteração, seria tudo uma mentira bem controlada?
Agora já não faz diferença.
Nenhum sinal de fraqueza.
Fomos muito bem treinados, torturados e ameaçados. Talvez tenha sido isso que me deixou assim. Talvez tenha sido você.
Dentro desse círculo de sal assinamos nosso nome no livro. Livro esse escrito pelo finito, ilustrado pelo vácuo assinado pelo nada infinito.
As velas que iluminam nossas feições, são as mesmas daquele dia de tempestade.
A taça com o nosso sangue foi feita com a areia derretida pelo raio da sua insensatez .
Seus lábios fazem sinuosas curvas em uma prece silenciosa.
O sal que dá forma ao círculo, pertence as minhas entranhas. Pari um ser de sal. Que ao te ver se desfez em pó.
Eu posso ver as luzes de néon que nomeia esse hotel barato em que nos encontramos. A letra do meio está queimada e a última insiste em piscar, Quem sabe se eu jogar meu sapato de salto ela sossega.
Você está dormindo tranquilamente, enquanto há pessoas lá fora morrendo.
Dentro desse círculo de sal eu vejo você pelo espelho de sua alma. Ele está encardido e descascando. Será que você sabe? Será que eu sei?
Quem roubou nossas vidas?
A luz bruxuleante dar forma a suas cicatrizes de guerra, principalmente a sobre o peito esquerdo aquela que eu fiz com uma faca em uma de nossas batalhas particulares.
Guardei a faca com carinho, ela tinha seu sangue, pelos alguma coisa sua eu possuo.
De onde vem essas necessidade de posse? Esse desejo insano de poder.
Você sabe, não sabe? Eu sei que sim.
Sua mão segura a minha em um gesto de proteção. Por que agora e não ontem?
Tantas interrogações em uma única frase, em uma única linha. Tantas interrogações e tão poucas afirmações.
Uma estrela acabou de cair, devagar e decadente.
Podia ser eu, podia ser você.
Mas não fui eu nem você.
Não foi ninguém, apenas uma estrela.

O selo e a zebra

As pessoas lá fora não entendem a minha dor, a minha angústia.
Tudo visto de fora é tão normal, tão verde..
Mas será tudo isso normal? Real? Verdadeiro?
Sinceramente... Eu não sei..
Tá tudo muito confuso.
A gata preta em cima da mesa me olha fixamente, ela tenta em fizer algo que não entendo, seus olhos amarelos estão fixos no meio de minha testa. Lentamente, para não assusta-la, levo a mão até a testa delicadamente perscruto todos os poros todo o espaço da minha pele... nada.
Ela continua ali parada me encarando, seu pelo lustroso brilha com a luz artificial da lâmpada da cozinha.
Dou um leve passo para a direita, ela sutilmente me segue com o olhar, endireito o corpo, repito o mesmo movimento agora para a esquerda, ela volta a me seguir, nos encaramos, não olho no olho, mas testa a testa. Continuo a brincadeira por cerca de 10 ou 15 minutos, viajo me perco, tudo vem e vai... vai e não vem. E ela continua a me olhar.
Murmuro alguns xingamentos básicos, meus lábios movem -se de maneira sincronizada desenham cada palavra com muito cuidado, mas o som não sai, ele não quer sair, eu não quero que saia, eu não quero, apesar de desejar ardentemente.
Por breves instantes a mariposa na lâmpada atrai a atenção da gata preta, há no ar o pesado cheiro de instinto da lei da selva, presa e predador se encaram, um irá cair, um irá sobreviver, mas qual.
Me sinto vingada com essa cena, pois analisando todos os ângulos, a gata preta estava sentindo na pele o mesmo que eu: a dúvida a necessidade de saber a qualquer custo, custe o quiser.
Ela havia me acuado em um canto, eu cai na armadilha isso é bem certo, mas eu também tenho instintos.
E com isso deixei o recinto enquanto elas se enfrentavam sai de fininho fui até o banheiro me olhar no espelho, olhei e não vi nada, apenas um alguém que pagou de palhaça para uma criatura inferior na escala evolutiva.
Meu mundo caiu e não fiz nada...
Volto para a cozinha em busca de vingança, cabeça erguida, olhar firme e postura decidida, nada irá me impedir... .
Tudo a minha frente congela, aquela cena vai ficar guardada em minha mente pelo resto de minha vida, e novamente meu mundo cai...
Lá estava ela em cima da pia com a mariposa se debatendo em sua boca, em momento de puro instinto a gata sacode a cabeça passa a pata rapidamente pela boca e espreme a presa por sobre o granito e lhe morde a cabeça e a arranca.
O ar me falta, e imitando a gata, pulo em seu pescoço e a seguro bem firme nos fitamos por longos 30 milésimos de segundos, ela pisca e volta os olhos em direção àquele ponto em minha testa.
A raiva me sobe à cabeça, abro as mão e ela cai, de pé. Se senta e começa seu banho, como se nada tivesse acontecido.
Giro nos calcanhares e vou para a sala, desabo no sofá, encaro o teto, aquela rachadura não estava ali, esfrego os olhos e ela continua ali me encarando...
Novamente murmuro blasfêmias, não sei se era eu ou o quê, mas parecia que todos haviam tirado a noite para me encarar.
Apenas 2 palavras me viam a mente: “É hoje!”
Fechos os olhos e vejo a mim mesma em encarando.
- Ah, não!!! Para mim chega. CHEGA!!! Vocês estão me ouvindo, CHEGA, isso é um ultimato!
Agora sim me sinto mais leve.
A gata subiu em meu colo, apoiou as patas dianteiras em meu peito e lambeu minha testa bem onde ela estava olhando. A seguro de modo que possamos nos olhar melhor, quando faço isso vejo que ela está com a língua de fora e na ponta está um selo, um selo com a cara de uma zebra...
ME ENCARANDO!!!
Pego o selo, passo a mão na testa, parece que no meio está mais baixo, como se algo houvesse sido tirado. Seria o selo? Meço os tamanhos, tudo confere.
Devo estar ficando louca, só pode. Está decidido, estou louca e devo conviver com isso ou seria para isso.
Respiro profundamente conto até 10, pronto estou prepara para a loucura!
Encaro o selo, a zebra pisca para mim, pisco para ela, ela sorri, eu sorrio, ela passa a língua pelos lábios como se fosse dizer algo:
- Boa noite minha jovem!
- Boa noite minha zebra!
- Noite tranqüila não?
-Extremamente tranqüila, faz tempo que não vejo algo assim!!
-Sabe, eu estava pensando... você viu aquele livro na teve?
-Aquele sobre a revolta dos ursinhos de pelúcia no deserto africano?
- Sim Sim, eu achei interessante, mas não entendi por que aquele ursinho rosa foi expulso de casa, você seria capaz de me explicar?
-Lógico, foi assim, ele era preto e um dia acordou rosa, seu pai uma cachorro laranja fosforescente sempre achou que ele era filho do Papai Noel, pois no natal passado ele não estava em casa, e quando viu ele rosa teve certeza que ele era seu filhos legitimo, e mãe decepcionada com esse fato o expulsa de casa...
-Ah, só isso, achei que fosse algo mais interessante.
-Para você ver como é a vida!!
-Que tal uma pipoca?
-Uma boa idéia
Saímos então os dois ( não sei se seria sensato dizer nos duas!!) até a cozinha para prepara uma pipoca.
Pipoca pronta refrigerante gelado, teve ligada, passados cerca de 5 minutos minha mais nova amizade abre a boca não para comer ou beber mas para pronunciar que vai embora, pois tem alguns negócios na Nova Guiné para resolver.
Como ela pôde fazer isso comigo, não depois de ter feito com que que fizesse pipoca, aquela ingrata
-Então boa viagem amiga!!!Vá pela sombra. E cuidado com o lobo mau.
Abro a porta e ela vai, livre como o vento em meus cabelos.
Volto para o sofá o programa de demolição estava uma maravilha. Chego bem na hora em que vão demolir uma pirâmide verde.
Do outro lado da teve estão todos ansiosos, aquela vai ser a primeira pirâmide verde que eles vão demolir, os mais fanáticos fazem um protesto, são contra aquele tipo de profanação. Mas a maioria das pessoas estão ansiosas por aquele espetáculo, o guindaste de demolição se prepara ... a platéia vibra e em uma coro contam: 5...4...3...2...1 VAI!
Catrabum, pedaços verdes voam pelos ares, o narrador está em êxtase.
Todo o tempo eu fico pensando...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Primeiro dia

Primeiro dia

Lucy, a primeira vista uma menina calada de olhos vagos, a segunda vista uma menina de voz baixa e olhar misterioso, a terceira vista alguém que não tem nada à te dizer ou um lugar para olhar. Por isso o silêncio por isso o olhar distante.
Ainda me lembro a primeira que a vi, estava um dia normal de muito sol e calor, não era primavera e nem tinha folhas de outono caindo na calçada.
Os carros iam e vinham na sua pressa capitalista, em frente a uma avenidade movimentada foi construida uma praça, bem feia e sem recursos diga-se de passagem. Mas é nessa praça sem graça ( riminha boba) que começa minha história,eu passeava por ela, sem ser notada e sem notar ninguém.
Não passou nenhum vento que fizesse as folhas ou o cabelo dela balançar, quando a vi pela primeira vez.
Estava sentada no balanço do parquinho ignorando a placa que dizia :"proibido para maiores de 10 ano, sob pena de multa.".
Parecia alheia de tudo, se balançava devagar quase parando, de vez em quando dava um leve impulso com a ponta dos pés, e junto levantava um montinho insignificante de areia, o balanço gemia, tremia e ia.
O que mais me chamou a atenção, não foi o fato de estar em um balanço as duas da tarde, ou o fato de seu cabelo ser curto demais para uma garota, ou seu belo vestido de marinheira ou o fato de estar segurando uma guia e na ponta estar um coelho cor de caramelo na ponta. O que me chamou a atenção foi seu olhar vago, distante, como se nada ali a importasse, nem os gritos histericos das crianças, ou o casal de namorados sem nem nhum pudor.
O balanço dava para uma movimentada avenida.
Eu a tinha visto qndo a atravesava, logo meus olhos se encontraram nos dela, mas não os dela em mim.
Caminhei em sua direção, mas não queria que ela me visse, se é que ela o iria fazer.
Rumei para um banco escondido, e ali me pus a observar akela sutil criatura, que parecia carregar todas as dores do mundo, como se a guerra no Iraque fosse culpa sua, mesmo ignorando o fato de que o Bush tinha saido, vai ver também ignorava que a brasileira na suiça tinha mentido, talvez ela achasse realmente que a tinha cortado toda.
Mas, não foi o sentimento de pena que tomou meu peito, foi o de ternura de identificação.
Ela carregava todas as dores do mundo e eu a dor.
Seus olhos eram claros, sua iris formava o desenho de uma flor verde e castanha, ela era possuidora de um rosto clássico, feições delicadas bem traçadas, cabelos ruivos, sardas pelo corpo e uma pela alva que faria inveja a mais pura neve.
Seu vestido azul constrastava com o vermelho vivo de seus lábios e cabelos cor de fogo.
como tudo aquilo lhe caía bem, a beleza celestial o olhar distante e seu rosto desprovido de outra expressão a não ser a de dúvida e misteriosa dor.
Quando mais ela se lançava ao abismo, mas vontade eu tinha de lhe segurar a mão e leva-la para um campo de girassóis onde ela poderia sentir toda a dor do nascimento da humanidade, claro se fosse isso que ela anseiasse, afinal talvez ela não goste de carregar toda aquela dor, mas acaso gostar, como vai amar meu campo de girassois vermelhos, ali se camuflaria e seria una com sua dor.
O tempo passou enquanto eu me perdia em devaneios, o dia deu lugar ao crepusculo, e foi lá que ela acordou, ergueu seu corpo na claridade dourada e rumou para fila de carros que se formava, discretamente a segui com o olhar. Sua silhueta foi sumindo, perdendo contornos até se tornar um borrão em minha mente, amanhã talvez a visse, talvez não.
só o novo raiar de dia poderia me trazer a chave para essa respota.

sobre a solidão

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.

Nietzsche



Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).

Fernando Pessoa


É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.

Friedrich Nietzsche


Hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
Pra quem só lhe foi dedicação

Chico Buarque


É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o génio.

Henri Lacordaire




Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus.

Aristóteles
Deus não existe!
Sua vida começa e acaba aqui
Mais ou menos uns 70 anos
Depois você deixa de existir

Seus sentimentos?
São apenas reações químicas que seu corpo criou
Não você não ama, não fica triste
Isso é apenas algo que a ciência ainda não explicou

Esse vazio que você sente?
É questão apenas de se adaptar
Você precisa somente se conhecer
O resto Freud pode explicar

Por que Deus...
Deus não existe! Eu já cansei de falar
Isso é coisa de gente fraca
Que precisa de alguém pra culpar

Não se deixe enganar
Pela beleza de uma flor, o nascimento de um bebê.
O sorriso no rosto de uma criança
Nem se importe com a lágrima que em seus olhos quer nascer

Para tudo tem uma explicação
Se não tem, um dia com certeza vai ter.
Mas acreditar em Deus?
Acreditar por quê?

Se você consegue... Tem todo o direito de ser ateu
Tem meu respeito
Mas não posso ficar calado
Por que eu te amo
Por que Deus... Ensinou-me a te amar!


(Ah, esses poetas sem nome)

Uma música, apenas uma música

George Michael - I'm Never Gonna Dance Again(tradução)

Eu jamais dançarei novamente

O tempo jamais poderá reparar
Os sussurros descuidados de uma boa amiga
Para o coração e a mente
A ignorância é bondosa
Não há consolo na verdade
Dor é tudo que você encontra
Eu deveria ser mais inteligente, yeah
Vá embora, oh oh, eu me sinto tão inseguro
Ao segurar tua mão
E conduzí-la até a pista de dança
Enquanto a música para
Algo em seus olhos
Me lembra uma tela prateada de cinema

(REFRÃO)

Com todas as suas tristes despedidas
Eu jamais dançarei novamente
Pés culpados não conseguem dançar no ritmo
Embora seja fácil fingir
Eu sei que você não é nunhuma tola
Eu deveria ser mais inteligente
Ao enganar uma amiga
E desperdiçar a oportunidade que tive
Por isso jamais dançarei novamente
Do modo como dancei com você


Esta noite a música parece tão alta
Gostaria que fossemos para longe desta multidão
Talvez seja melhor assim
A gente poderia se magoar
Com as coisas que desejamos falar
Poderíamos ter nos dado tão bem juntos
Poderíamos ter vivido esta dança para sempre
Mas agora quem é que vai dançar comigo ?
Por favor, fique ...
Agora que você partiu
O que foi que fiz de tão errado, tão errado
Que fez você me deixar sozinho ?

Primeiro dia

Lucy, a primeira vista uma menina calada de olhos vagos, a segunda vista uma menina de voz baixa e olhar misterioso, a terceira vista alguém que não tem nada à te dizer ou um lugar para olhar. Por isso o silêncio por isso o olhar distante.
Ainda me lembro a primeira que a vi, estava um dia normal de muito sol e calor, não era primavera e nem tinha folhas de outono caindo na calçada.
Os carros iam e vinham na sua pressa capitalista, em frente a uma avenidade movimentada foi construida uma praça, bem feia e sem recursos diga-se de passagem. Mas é nessa praça sem graça ( riminha boba) que começa minha história,eu passeava por ela, sem ser notada e sem notar ninguém.
Não passou nenhum vento que fizesse as folhas ou o cabelo dela balançar, quando a vi pela primeira vez.
Estava sentada no balanço do parquinho ignorando a placa que dizia :"proibido para maiores de 10 ano, sob pena de multa.".
Parecia alheia de tudo, se balançava devagar quase parando, de vez em quando dava um leve impulso com a ponta dos pés, e junto levantava um montinho insignificante de areia, o balanço gemia, tremia e ia.
O que mais me chamou a atenção, não foi o fato de estar em um balanço as duas da tarde, ou o fato de seu cabelo ser curto demais para uma garota, ou seu belo vestido de marinheira ou o fato de estar segurando uma guia e na ponta estar um coelho cor de caramelo na ponta. O que me chamou a atenção foi seu olhar vago, distante, como se nada ali a importasse, nem os gritos histericos das crianças, ou o casal de namorados sem nem nhum pudor.
O balanço dava para uma movimentada avenida.
Eu a tinha visto qndo a atravesava, logo meus olhos se encontraram nos dela, mas não os dela em mim.
Caminhei em sua direção, mas não queria que ela me visse, se é que ela o iria fazer.
Rumei para um banco escondido, e ali me pus a observar akela sutil criatura, que parecia carregar todas as dores do mundo, como se a guerra no Iraque fosse culpa sua, mesmo ignorando o fato de que o Bush tinha saido, vai ver também ignorava que a brasileira na suiça tinha mentido, talvez ela achasse realmente que a tinha cortado toda.
Mas, não foi o sentimento de pena que tomou meu peito, foi o de ternura de identificação.
Ela carregava todas as dores do mundo e eu a dor.
Seus olhos eram claros, sua iris formava o desenho de uma flor verde e castanha, ela era possuidora de um rosto clássico, feições delicadas bem traçadas, cabelos ruivos, sardas pelo corpo e uma pela alva que faria inveja a mais pura neve.
Seu vestido azul constrastava com o vermelho vivo de seus lábios e cabelos cor de fogo.
como tudo aquilo lhe caía bem, a beleza celestial o olhar distante e seu rosto desprovido de outra expressão a não ser a de dúvida e misteriosa dor.
Quando mais ela se lançava ao abismo, mas vontade eu tinha de lhe segurar a mão e leva-la para um campo de girassóis onde ela poderia sentir toda a dor do nascimento da humanidade, claro se fosse isso que ela anseiasse, afinal talvez ela não goste de carregar toda aquela dor, mas acaso gostar, como vai amar meu campo de girassois vermelhos, ali se camuflaria e seria una com sua dor.
O tempo passou enquanto eu me perdia em devaneios, o dia deu lugar ao crepusculo, e foi lá que ela acordou, ergueu seu corpo na claridade dourada e rumou para fila de carros que se formava, discretamente a segui com o olhar. Sua silhueta foi sumindo, perdendo contornos até se tornar um borrão em minha mente, amanhã talvez a visse, talvez não.
só o novo raiar de dia poderia me trazer a chave para essa respota.